Indústria recria-se e procura entrar no combate à Covid-19


Com o retalho fechado um pouco por toda a Europa, os cancelamentos e adiamentos de encomendas não se fizeram esperar e muitas são as empresas têxteis e de vestuário que estão já a recorrer ao lay-off. Mas há quem se tenha reinventado.

Na Temasa - Têxtil do Marco, SA, trabalho não falta. Não para os clientes habituais - dos seis milhões de euros que fatura, o grupo Sonae (Zippy e Mo) é responsável por metade -, mas para abastecer os hospitais de batas, cógulas (uma espécie de capuz que cobre cabeça e pescoço), cobre-botas e fatos de proteção integral. Produtos desenvolvidos com o apoio do Citeve (Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário). "Foi uma correria diária para conseguir desenvolver os produtos e testá-los nos hospitais ao mesmo tempo que os estávamos a certificar", admite o recém-proprietário da Temasa.

A empresa produz cinco mil peças e procura fazer entregas semanais aos hospitais. E já perspetiva chegar a França, diz Andreas Falley. Quando o Mundo voltar ao normal, regressará aos seus clientes. Mas Andreas Falley lembra: "Hoje, todos os artigos de proteção individual são descartáveis e comprados a preços extremamente baixos na Ásia. Portugal tem capacidade de desenvolver produtos tecnológicos com alguma resistência à lavagem e que podem ser reutilizados".

No calçado, há muitas empresas a ajudar. A AMF - Safety Shoes, um dos maiores produtores europeus de calçado de segurança, decidiu reconverter as socas de jardim num artigo para a área da saúde, higienizável e esterilizável na máquina de lavar. Em duas semanas já ofereceu "seis mil pares" a hospitais, centros de saúde e lares de Guimarães e Vila do Conde, onde as unidades do grupo estão sediadas, mas já tem pedidos "de todo o país" e oportunidade para vender para os EUA, refere Albano Fernandes.

Já a TSF - Metalúrgica de Precisão, Lda., está a produzir viseiras, que tem vindo a oferecer, não por falta de encomendas mas por "responsabilidade social". A empresa da Trofa continua a produzir desde válvulas para centrais nucleares a equipamentos para a indústria alimentar, e agora faz viseiras na impressora 3D. "Queremos ajudar enquanto for necessário", assume Pedro Sousa.


Material de proteção - Para Andreas Falley, da Temasa, o material de proteção podia ser uma aposta do têxtil nacional. "Só depende das opções de futuro das instâncias nacionais. Temos uma indústria com dimensão e com capacidade para suprir essas necessidades, como se tem visto."

Recorde de faturação - A AMF emprega 250 pessoas e fatura 18 milhões. Neste momento pode ter "um ou outro adiamento, mas não cancelamentos. Aliás, estes três meses foram o nosso melhor trimestre de sempre", garante Albano Fernandes.

Cuidados redobrados - A TSF diz que o maior desafio tem sido a gestão dos seus 120 trabalhadores em época de Covid-19. "Controlamos a temperatura a toda a gente, trabalhamos de máscara e luvas, não cruzamos turnos e desinfetamos tudo com frequência", explica Pedro Sousa.

Fonte: Jornal de Notícias